Segunda-feira, Fevereiro 8

sataney

e olha o que eu achei ontem passeando pelo Cohafuma. Não sei quem foi o autor da façanha, mas se por um acaso for um leitor deste blog, me dá uma ligada. Precisamos conversar.

maranhão: tempo de vandalismo

Domingo, Janeiro 31

lembranças do bigurrilho da alegria

não sei quantos anos faz que eu vou no bigurrilho da alegria. de primeira foi uma festa que tava rolando quando eu passava em algum lugar e esse passar acabou virando tradição. nunca sei quando ou onde é o baile antes de estar quase nele.
esse ano foi a hegle que me disse, via msn, duas horas antes do baile começar, e ano passado eu conheci a hegle no mesmo baile. engraçado.
cibelle tinha umas engrenagens nas costas e acho que ganhou o concurso, o primeiro era num lugar bem pequeno, mas já estavam lá as pessoas que eu vejo todo ano: washington, valéria, meire (não sei se escreve assim) e, claro, eu morto de bêbado. a íris foi no primeiro e meire nos ajudou a abrir uma garrafa de alguma coisa. foi uma época muito estranha, indeed. o mesmo ano que me veztio de camburão de terno pra sair na escola de cabelo de milho.

a karla ficou zangada, mas eu e o sanchez pegamos carona ou fomos abduzidos por duas figuras engraçadas na frente do icbeu, onde eu fiquei por anos e anos sentado enquanto havia aula e onde motoqueiro ganhou a queimadura na perna que acabou lhe dando a apelido e onde pedrinho maluco chegou uma noite com a notícia bombástica que vike vykern havia matado euronimous. não me perguntem quem são, ou como se escreve o nome deles.
uma das garotas insistia que me conhecia e eu dizia "é provlaél, é provável". o bigurrilho é o universo paralelo do inesperado. ano passado também cheguei em casa às seis, num carro lotado de desconhecidos (acho que alguém lá me conhecia). joguei confetes na karla. foi bom.

e júlia fumou um baseado enorme no bar do porto 3 anos atrás, com um Sr júlia, que era simpático e não freakado, alguns são. no ano anterior eu fui de pastor com a minha farda do trabalho e uma Veja, com a qual batia nas pessoas, o marido da sandra ficou zangado comigo, mas lembrei dele e dela um dia desses quando passava o mandrake na TV.

ano passado eu saía do trabalho (que já era outro) e meu ex-chefe, que pegava (e pega) a minha sogra, disse que não dava pra me deixar em casa (pois tinha "um encontro") e que o mais perto que eu poderia ficar era ali, na praia grande, à meia noite. a candy foi ótima e tinha a marla que me xingou porque eu a chamei de FP por email (ela era). rosberg nos defendia, mas num teve jeito. pepper tinha uma fantasia massa e acabei no baile do vandico, numa DR com o joão, antes das meninas que eu não conhecia decidirem me deixar em casa. obrigado.

quando inventaram de usar a casa do maranhão, muita gente reclamou. antes o baile tava escondidinho no centro de cultura e tinha um sentimento de exclusividade, não me estranha que metade dos frequentadores era historiador, ano passado a glória tava meio triste, esse ano ela não foi, mas marize reforçou o convite pra cabocla leidiane e a menina que fica com o luciano (a thais) tem dificuldade em falar palavrões, mas é uma figuraça!

me cobraram um tal de convite na entrada e eu, ludovicense de merda, disse que ia no baile desde o primeiro e que nunca me pediram convite nenhum, que eu era sócio deste baile como era sócio do clube da saudade.
termina de tomar tua cerveja e entra aqui pelo lado.
era a quarta cerveja.
acho que subi no palco denovo.
sanchez dormiu aqui, mas virou abóbora de manhã.

o casino tem esse tamanho surreal, que funcionou bem pro baile, mas no nosso primeiro encontro de rpg, mais de 10 anos atrás, pareceu um estádio, como aquilo foi divertido. tinha muita luz no casino quando a gente atravessava a ponte de madrugada, andando, pra beber na praiagrande depois de tocar no bento que como o casino, hoje é um clube de reggae.

tem umas partes que eu queria lembrar desses anos todos. sempre fica uma névoa, mas hoje eu planto duas variedades de boldo. alguma culpa. liguei pro lucap bem tarde, mas ele não atendeu.
minha carteira sumiu.

Quinta-feira, Janeiro 28

STAY PORN

Monica Mattos é a coisa mais saudável que eu conheço nos cinemas brasileiros.
Digo mais do, porque no mesmo ela não chega, nem no Roxy deve rolar.
Mas mesmo assim gosto de ver Mônica, gosto dela nas mãos do vendedor de discos piratas, quando eu pergunto, sempre: tem de putaria?
Sempre tem, quase sempre tem Mônica.
É dos de putaria que o vendedor sabe falar melhor, o resto é de porrada, de ação ou de monstro, tanto faz.

Dia desses comprei mais uma cópia do Ai que vida. se você não viu, faça o favor, que é bonito, dá sustos e orgulho e espanta meu faro de apocalipse.
Na base da contracapa, como se fosse um dvd oficial, tem aquelas letras espichadas pra cima, que quase não se lê, de um filme americano qualquer. Quem quer que tenha montado a versão mais corrente da capinha do Ai que vida, achou que ficaria mais bonito dentro dos padrões de um disco que se compra nas Americanas.
De qualquer forma, a informação das letrinhas tipo arranhacéu é ilegível e incompreensível pra maioria do público, mas a FORMA, a idéia é o que interessa.
Invente a câmera, me empreste e cale a boca!
É como uma cantada barata que funciona. Custa 3 barão, mas só vai rodar 100% na terceira cópia.

MM era meio mocréia, carnuda demais e de bochecha detonada, não muito à ver com a que ganhou o prêmio de melhor cena anal no "world's putary awards" ou que apareceu na Roling Stone e passeou por aí posando de moça trabalhadeira.
Sacou?
O primeiro boquete da Mônica foi pago, num programa. Talvez antes nem interessasse. Ela diz que não tem grilo e hoje dirige filmes. Ai que vida foi feito com uma só câmera e é engraçado como dois estados disputam em conversas de bar a procedência da fita.
"Por isso que tu foi corno", é o que os caras do pós Lula vão dizer pro cinema brasileiro, e MM vai continuar se fodendo e dando bem.

Às vezes confundo e não sei se já escrevi isso aqui, pois falo muito, mas MM tá salvando o cinema brasileiro, redimindo mesmo, é quase metalinguistico.
Tenho vontade de inscrever um filme pornô na lei Rouanet, mandar pro BNB ou algo assim.
Já cogitaram cinema brasileiro de qualidade, amplamente exportável, largamente consumido domesticamente, debatido e sem o incentivo do estado? Até onde me conste, só pornografia e Aí que vida. O segundo é uma obra o primeiro, uma indústria.
Que tranformou Mônica de tribufu em princesa, engoliu figuras quase públicas como Vivi Fernandes e produziu outras como Júlia Paz.
MM me lembra a Sasha Srey, who's "willing to be a commodity."...

My body is my art, and it’s also the tool that I use to make money. One of the stereotypes that exists in this business is that women don’t know that they're being used for money. It’s like, “Oh, the poor thing. People are making money off of her.” No shit. I’m telling you straight up that before I do my first scene, I’m aware of that. And I’m OK with that. Slowly but surely, I built my way up to be able to solely benefit as being that commodity as opposed to me benefiting with everyone else in the industry. I solely benefit now.

Sasha fala das câmeras como um ambiente seguro e de alto controle, que é mais ou menos o que disse dia desses uma pornstar do Waren Ellis.
Não vejo um filme em português que queira ser um produto, nada com o selo da Ancine pode ser um produto no sentido amplo do livre mercado, não se pode reclamar de embargos e do milho que é plantado com grana do governo americano se a gente só consegue pensar em produtos culturais dentro dessa mesma lógica.

Pra registrar a reclamação padrão #1, e possivelmente superá-la.

Mais respeito com Mônica Mattos.

Terça-feira, Janeiro 26

o matador de funcionários públicos

bem, a senha tem que ter letras e números.
vai tomar no teu cu
quê.
é minha senha.
me mandou tomar no cu.
não, é minha senha, sem espaços.
não pode ser essa senha.
tá.
tem que ser outra.
vai tomar no teu cu 2. o 2 é numérico.

ela olha pelo balcão. não tô de bermuda.

Quinta-feira, Novembro 19

BREGANEJO EM SÃO LUÍS

Pois é. Esse blog tá quase morto e as últimas 4 postagens foram meio iguais, né?
Um flyer do Breganejo Blues.


Tá. esse é o último. Prometo.
É que finalmente vai rolar o lançamento em São Luís, na Feira do Livro.
Depois desse posto um postão de todos os lançamentos.
Se você é de São Luís, pinte lá. Se não, melhor ficar onde está.

Domingo, Novembro 1

BREGANEJO TOUR!


TRIPAS

Chuck Palahniuk

Traduzido por Bruno Azevêdo
Out 2009

Respire.
Puxe o máximo de ar que conseguir.
Esta história deve durar o quanto você conseguir prender a respiração, e daí só mais um pouquinho. Então escute o mais rápido que puder.

Um amigo meu, quando tinha treze anos, ouviu falar da “cravilhada” É quando um cara toma no rabo com um dildo. O que se diz é que se você estimular a glândula prostática direitinho dá pra ter um orgasmo explosivo sem usar as mãos. Naquela idade, esse amigo era um tanto maníaco sexual. Sempre fuçando um jeito mais legal de dar uma esporrada. Ele sai pra comprar uma cenoura e um pouco de vaselina. Pra realizar uma pequena pesquisa intima. Aí ele pensa em como vai parecer no caixa do supermercado, a cenoura solitária e a vaselina rolando na esteira em direção à senhora no caixa. Todos os clientes esperando na fila, só olhando. Todo mundo vendo a grande noite que ele planejou.
Então, esse amigo meu, ele compra leite e ovos e açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.
Como se ele fosse pra casa enfiar um bolo de cenoura no cu.
Em casa, ele molda a cenoura como uma faquinha. Ele a besunta com graxa e desce esfregando o rabo nela. E nada. Sem orgasmos. Nada acontece, só dói.
Então, esse garoto, a mãe dele grita que é hora do jantar. Ela diz pra ele descer, agora.
Ele tira a cenoura e esconde a peça suja e escorregadia no meio das roupas sujas embaixo da cama.
Depois da janta, ele vai atrás da cenoura e ela sumiu. Enquanto ele jantava, a mãe dele levou todas as roupas sujas pra lavanderia. Não tem jeito dela não ter achado a cenoura, cuidadosamente talhada com uma faca paring da cozinha dela.
Esse meu amigo, ele passa meses sob uma nuvem negra, esperando que os seus o confrontem. Mas nunca acontece. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível fica pendurada em cada jantar de natal, cada festa de aniversário. Cada caçada ao ovo de páscoa com os filhos dele, os netos dos filhos dele, aquela cenoura fantasma pairando sobre todos eles.
É algo chato demais pra se apontar.
As pessoas na França têm uma expressão: “O espírito da escada.” Em francês: Esprit de l'escalier. Ela fala daquele momento no qual você acha a resposta, mas já é tarde demais. Digamos que você esteja numa festa e alguém lhe insulta. Você tem que dizer alguma coisa. Então sob pressão, com todo mundo olhando, você acaba por dizer algo molengo. Mas é só você sair da festa...
Você começa a descer a escada e... mágica. Você acha a resposta perfeita, a que devia ter dado. O ponha-se-no-seu-lugar perfeito.
Esse é o espírito da escada.
O problema é que nem os franceses têm uma frase pras coisas estúpidas que você de fato diz sob pressão. Essas coisas estúpidas, desesperadas que você de fato diz ou faz.
Algumas atitudes são muito baixas até pra ter um nome. Muito baixas até pra se falar a respeito.
Parando pra ver, especialistas em psicologia infantil, terapeutas escolares dizem que do último pico de suicídio adolescente, a maioria eram jovens tentando engasgar enquanto levavam uma sova. Os pais os achariam, uma toalha enrolada no pescoço, a toalha amarrada na haste do guarda roupas, o filho morto. Esperma morto pra todo lado. Claro que os pais limparam. Botam umas calças no menino. Fazem parecer… melhor. Ao menos intencional. O tipo normal e triste de suicídio adolescente.
Outro amigo meu, um rapaz da escola, o irmão mais velho dele na marinha falou de como os caras do oriente médio batem punheta diferente da gente aqui. Esse irmão estava lotado em algum desses países com camelos onde o mercado público vende o que poderia ser um abridor de cartas chique. Cada uma destas ferramentas invocadas não passa de uma tala fina de bronze ou prata polida, talvez do tamanho da sua mão, com uma ponta grande em uma extremidade, seja uma grande bola de metal ou o tipo de empunhadura talhada refinada que você encontra numa espada. Esse irmão da marinha fala de como os caras na Arábia endurecem o pau e inserem a vareta no comprimento inteiro de suas picas. Eles batem uma com a vareta dentro e ela deixa a bronha muito melhor. Mais intensa.
Esse irmão mais velho que viaja pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas úteis de punheta.
Depois disso, o irmão menor, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pra perguntar se eu posso pegar seu dever de casa nas próximas semanas. Porque ele está no hospital.
Ele tem que dividir um quarto com gente velha que vai fazer coisas nas tripas. Ele conta como eles têm que dividir a mesma televisão. Tudo de privacidade que ele tem é uma cortina. Seus pais não o visitam. Ao telefone, ele me conta como neste exato momento seus velhos poderiam matar seu irmão marinheiro.
Ao telefone, o garoto conta como, no dia anterior, ele só tava um pouco chapado. Em casa, em seu quarto, esparramado na cama. Ele acende uma vela e folheia umas velhas revistas pornô, se preparando pra bater uma. Isso é depois dele ouvir do seu irmão marinheiro. Aquela dica útil de como os árabes batem uma. O garoto olha em volta, procurando algo que possa servir. Uma esferográfica é grande demais. Um lápis é grande demais e áspero. Mas escorrendo pela lateral da vela tem uma fina a lisa crista de cera que pode dar certinho. Só com a ponta de um dedo, esse garoto arranca a longa crista de cera da vela. Ele enrola de leve entre as palmas das mãos. Longo e liso e fino.
Chapado e cheio de tesão, ele enfia, mais e mais fundo na uretra. Com uma boa parte da cera ainda pro lado de fora, ele começa a trabalhar.
Mesmo agora, ele diz que esses árabes são espertos pra cacete. Eles reinventaram completamente a bronha. Deitado de costas na cama, a coisa vai ficando tão boa, esse garoto não consegue acompanhar a cera, ele está a uma boa puxada de disparar seu jato quando a cera não tá mais pra fora.
A vara fina de cera deslizou pra dentro. Todinha. Assim tão fundo ele nem consegue sentir o bagulho destro do seu duto urinário.
Do andar de baixo, a mãe dele grita que é hora do jantar. Ela manda descer, agora. Esse garoto da cera e o garoto da cenoura são dois caras diferentes, mas todos nós meio que vivemos a mesma vida.
Já passa do jantar quando as tripas do garoto começam a doer. É cera e ele achou que ia acabar derretendo dentro dele e ele acabaria mijando tudo. Agora as costas doem. Os rins. Ele não consegue ficar ereto.
Esse garoto falando ao telefone de sua cama de hospital, ao fundo você consegue ouvir as sinetas, gente gritando. Game shows.
O raio-X mostra a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro da bexiga dele. Esse V fino e longo dentro dele, coletando todos os minerais do mijo dele. Ficando maior e mais encrespado, revestido com cristais de cálcio, fica batendo, rasgando a pele fina da bexiga, impedindo a urina de sair. Os rins estão pra trás. O pouquinho que pinga do pau dele está avermelhado pelo sangue.
Esse garoto e seus pais, sua família inteira, olhando o raio-X negro com o médico e as enfermeiras ali paradas, o enorme V de cera branco brilhando pra todo mundo ver, ele tem que falar a verdade. O jeito como os árabes batem uma. O que o irmão mais velho escreveu da marinha.
Ao telefone, agora, ele começa a chorar.
Eles pagaram a operação na bexiga com as economias da faculdade dele. Um erro estúpido e agora ele nunca vai ser um advogado.
Enfiar coisas em você. Se enfiar nas coisas. Uma vela no seu pau ou sua cabeça numa cilada, a gente sabia que seria um problemão.
O que deixou encrencado, eu chamo de Mergulho das Pérolas. Em outras palavras, é bater umazinha debaixo d’água, sentado no fundo, lá no fundo da piscina dos meus pais. Num só fôlego, eu nadava até o fundo e tirava a meu calção de banho. Eu sentava lá por dois, três, quatro minutos.
Só de bater punheta eu tinha uma capacidade pulmonar gigantesca. Se eu tivesse a casa só pra mim, passava a tarde inteira nisso. Depois de finalmente esporar o meu bagulho, meu esperma, ele ficava lá em escarros leitosos, grandes e gordos.
Depois disso era mais mergulho, pra pegar tudo. Coletar tudo e limpar cada mão cheia com uma toalha. É por isso que era chamado de Mergulho das Pérolas. Mesmo com o cloro, eu me preocupava com a minha irmã. Ou, Deus do céu, a minha mãe.
Esse costumava ser meu pior medo no mundo inteiro: minha irmã, adolescente e virgem, pensando que só estava engordando, pra depois dar à luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas cabeças sendo a minha cara. Eu, o pai E o tio.
No final, nunca é o que te preocupa que acaba te pegando.
A melhor parte do Mergulho das Pérolas era o duto de entrada do filtro da piscina e a bomba de circulação. A melhor parte era ficar nu e sentar nele.
Como diriam os franceses: quem não gosta de lhe chupem o cu?
Ainda assim, em um minuto você é só um garoto batendo uma, e no minuto seguinte você nunca vai ser um advogado.
Um minuto, eu tô me aconchegando no fundo da piscina, e o céu está ondulado, azul claro filtrado nos 2,4 metros de água acima da minha cabeça. O mundo está em silêncio, exceto pelo batimento cardíaco nos meus ouvidos. Meu calção de banho de listrinhas amarelas está amarrado no meu pescoço, por segurança, pro caso de um amigo, um vizinho ou qualquer um aparecer perguntando por que eu faltei o treino de futebol. A sucção firme da entrada da piscina me estapeia e eu esfrego meu rabo branco e magrelo nessa sensação.
Um minuto, eu tenho ar suficiente, e meu pau na mão. Meus pais no trabalho, minha irmã tem balé. Ninguém deve aparecer em casa por horas.
Minhas mãos me levam quase lá, e eu paro. Eu nado pra pegar outro fôlego. Mergulho e me ajeito no fundo.
E eu repito e repito.
Deve ser por isso que as meninas querem sentar na sua cara. A sugada é como dar um cagão que nunca pára. Com o pau duro e o rabo sendo mordido eu não preciso de ar. O coração nos meus ouvidos, eu fico no fundo até estrelas brilhantes de luz começarem a serpentear nos meus olhos. As pernas esticam, a parte de trás dos joelhos se arrastam no fundo de concreto. Meu dedos do pé vão ficando azuis, meu dedos dos pés e das mãos enrugados por ficar tanto tempo na água.
E aí eu deixo acontecer. As grandes escarradas brancas começam a jorrar. As pérolas.
É aí que eu preciso de um pouco de ar. Mas quando vou pegar impulso no fundo, eu não consigo. Não consigo botar os pés abaixo de mim. Meu cu está preso.
Os para-médicos lhe dirão que por ano, cerca de 150 pessoas ficam presas deste jeito, sugadas por uma bomba de circulação. Se o seu cabelo longo ficar preso, ou o seu rabo, você vai se afogar. Todo ano acontece com toneladas de gente. A maioria na Flórida.
As pessoas simplesmente não falam disso. Nem os franceses falam sobre TUDO.
Levanto um joelho, enfio um pé abaixo de mim, fico meio em pé quando sinto o solavanco na minha bunda. Com o outro pé abaixo de mim, eu pego impulso no fundo. Tô me livrando, já sem pegar no concreto, mas também sem alcançar o ar.
Continuo chutando a água, me debatendo com os dois braços, devo estar a meio caminho da superfície, mas sem subir mais nem um palmo. O coração batendo mais alto e rápido na minha cabeça.
Os lampejos de luz cruzando e atravessando os meus olhos, eu me viro pra trás e vejo... mas não faz sentido. Aquela corda grossa, algum tipo de cobra azul-esbranquiçada e entrançada, cheia de veias, saiu do dreno da piscina e tá presa no meu rabo. Algumas das veias vazam sangue, sangue vermelho que em baixo d’água parece preto e se esvai por pequenos cortes na pele pálida da cobra. O sangue faz uma trilha, desaparecendo na água, e por dentro da pele fina e azul-esbranquiçada da cobra dá pra ver pedaços de alguma refeição meio-digerida.
É o único jeito disso fazer sentido. Algum terrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, escondida no fundo escuro do dreno da piscina, esperando para me devorar.
Então… eu a chuto, na pele lisa e borrachuda cheia de nódoas e veias. Parece sair mais dela do dreno. Já deve estar do tamanho da minha perna, mas ainda segura firme no meu cu. Com outro chute eu fico alguns centímetros mais perto de tomar outro fôlego. Ainda sentindo a cobra rebocada no meu rabo, tô alguns centímetros mais perto da fuga.
Grudado na parte de dentro da serpente, dá pra ver milho e amendoins. Dá pra ver uma longa bola laranja-clara. É o tipo de vitamina pra cavalo em pílulas que meu pai me faz tomar, pra ajudar a ganhar peso. Pra conseguir uma bolsa de estudos como jogador de futebol. Com ferro extra e ácidos enriquecidos com ômega três.
Tida como a pílula que salva a minha vida.
Não é uma cobra, é meu intestino grosso, meu cólon cuspido pra fora. O que os médicos chamam de prolapso. São as minhas tripas sugadas pro dreno.
Os para-médicos lhe dirão que a bomba de uma piscina suga 80 galões de água por minuto. Isso dá algo em torno de 200 quilos de pressão. O grande problema é que, por dentro, nós somos todos conectados. Seu rabo é só a outra extremidade da sua boca. Se eu deixar, a bomba continua trabalhando – desvelando minhas entranhas – até pegar a minha língua. Imagine dar uma cagada de 200 quilos e você vai conseguir ver como dá pra te virar do avesso.
O que posso dizer é que as tripas não sentem muita dor. Não do jeito que sua pele sente dor. O que você estiver digerindo, os médicos chamam de bolo fecal. Antes disso é quimo, bolsões de uma baba rala recheada de milho e amendoins e feijõezinhos redondos.
É essa sopa de sangue e milho, merda e esperma e amendoins flutuando à minha volta. Mesmo com as minhas tripas se desenrolando pelo meu cu e eu me agarrando ao que resta, mesmo assim meu primeiro desejo é de alguma maneira conseguir vestir meu calção de banho.
Deus proíbe que meus pais vejam o meu pau.
Uma das minhas mão segura com força em torno no meu rabo, a outra busca meu calção de banho de listras amarelas e desfaz o nó do meu pescoço. Ainda assim, é impossível entrar nele.
Quer sentir teus intestinos. Compre um pacote daquelas camisinhas de pele de carneiro. Tire uma e desenrole. Encha de pasta de amendoim. Besunte com vaselina e fique segurando embaixo d’água. Daí tente rasgá-la. Tente partir ao meio. É muito forte e borrachuda. É tão lisa que não dá pra segurar.
Uma camisinha de pele de carneiro não passa de intestino velho.
Dá pra ver contra o que tô brigando.
Você solta por um segundo e fica eviscerado.
Você nada pra superfície, pra tomar ar, e fica eviscerado.
Você não nada e se afoga.
É uma escolha entre morrer agora ou daqui há um minuto.
O que os meus pais vão achar depois do trabalho é um enorme feto nu, enrolado nele mesmo. Flutuando na água turva da piscina do quintal deles. Ancorado ao fundo por uma corda grossa de veias e tripas retorcidas. O oposto de um garoto se pendurando até morrer enquanto bate uma. Este é o bebê que eles trouxeram do hospital pra casa faz treze anos. Tá aqui o rapaz que eles esperavam que levasse uma bolsa de jogador de futebol e tivesse um MBA. Que cuidaria deles na velhice. Eis todos os seus sonhos e esperanças. Flutuando na piscina, nu e morto. Em volta dele, enormes pérolas leitosas de esperma desperdiçado.
É isso ou os meus pais vão me achar enrolado a uma toalha ensangüentada, desmaiado no meio do caminho entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos rasgados e esfarrapados das minhas tripas ainda pendurados na perna o meu calção de banho de listras amarelas.
O que nem os franceses falam a respeito.
Aquele irmão mais velho da marinha nos ensinou uma outra boa expressão. Essa em russo. Como a gente diz “Eu preciso disso como preciso dum buraco na cabeça...” os russos dizem: “Eu preciso disso como eu preciso de dentes no meu cu...”
Mne eto nado kak zuby v zadnitse

Aquelas histórias de como animais pegos em armadilhas vão acabar mastigando a própria perna... bem... qualquer coiote lhe diria que é mil vezes melhor que morrer.
Porra… mesmo se você for russo, um dia você pode acabar querendo aqueles dentes.
Se não, o que você tem que fazer é — você tem que rodopiar. Você engancha um cotovelo por trás de seu joelho e puxa essa perna pro seu rosto. Você dá dentadas no seu próprio rabo. É só ficar sem ar pra você mastigar qualquer coisa por aquele próximo fôlego.
Não é alguma coisa que você vai querer contra pruma garota no primeiro encontro. Não se você espera um beijo de boa noite.
E se eu te dissesse o gosto, você nunca, mais nunca mesmo ia comer calamari.
É difícil dizer o que deixou maus pais mais enojados: como eu me encrenquei ou como saí da encrenca. Depois do hospital, minha mãe disse “Você não sabia o que estava fazendo, bebê. Você estava em choque.” E ela aprendeu a fazer ovos escalfados.
Esse povo todo enojado ou com pena de mim…
Eu preciso disso como preciso de dentes no meu rabo.
Hoje em dia as pessoas sempre me dizem que eu pareço magrelo demais. As pessoas em jantares ficam todas quietas e putas da vida quando eu não como o assado de panela que eles fizeram. Assado de panela me mata. Presunto assado. Qualquer coisa que fique nas minhas entranhas por mais que algumas horas acaba saindo ainda comestível. Feijões de lima feitos em casa ou pedaços leves de atum, eu vou levantar e achar tudo inteirinho no sanitário.
Depois de você passar por uma ressecção intestinal radical, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas têm 1 metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ter meus 15 centímetros. Daí que eu nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca fiz um MBA. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, cresceram, ficaram adultos, mais eu nunca ganhei nem um quilo a mais do que eu já tinha naquele dia quando eu tinha treze anos.
Outro grande problema é que os meus pais pagaram uma nota preta naquela piscina. No final meu pai só falou pro cara da piscina que tinha sido um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O cadáver foi puxado pra bomba. Mesmo quando cara da piscina quebrou pra abrir a caixa do filtro e pescou um tubo emborrachado, um novelo aguado de intestino com uma pílula laranja enorme dentro, mesmo assim, meu pai só falou, “aquele cachorro era um maluco de merda.”
Até da janela do meu quarto no segundo andar dava pra ouvir o meu pai dizer, “não dava pra deixar o cachorro sozinho um segundo...”
Aí a regra da minha irmã não veio.
Mesmo depois que eles mudaram a água da piscina, depois deles venderem a casa e da gente se mudar pra outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo assim meus pais nunca mencionaram o ocorrido.
Nunca.
Essa é a nossa cenoura invisível.
Você. Agora você pode dar uma boa e profunda respirada.
Eu ainda não dei.

Fim.

Terça-feira, Outubro 6

Breganejo Blues PREVIEW

Pois é. Taí o preview do ebook. Divirtam-se.
O arquivo completo à partir do dia 11 no site da Mojo



Baixe AQUI ou AQUI

Quinta-feira, Outubro 1

BREGANEJO BLUES

Pois é, pessoal. O Breganejo tá na área. Lançamento em BH antes de SLZ.
Sairam boas notas no Bigorna, TexBr e hoje uma matéria bacanuda no Universo HQ

Se derrubar é penalti.

Sábado, Setembro 12

Queima ele, porra!



gibi do marcos caldas. tem mais no www.hqmarcos.com

Quarta-feira, Setembro 2

a posição da poesia não é a que você está pensando

Quarta-feira, Agosto 5

três filmes de amor

FILME 01

Cena 01.
Ele entra no escritório do detetive. Noite. Interna. O detetive fuma e ele desconfia da mulher. Combinam preço, prazo e discrição total. Tomam um vinho.

Cena 02.
Foge com o detetive para a África, após descobrir que ele é, na verdade Amauri, seu amigo de infância por quem sempre fora apaixonado e com quem, em 1962, compartilhou banhos em riachos e uma jaca madura.

Cena 03.
Após 20 anos na áfrica, para onde fugiu com o detetive, entra em crise e deseja rever os filhos Alcides, Constância e Eleanor, que já devem estar crescidos sem lembrar a cara do pai.
Eleanor é aeromoça.
Constância casou com um bancário e Alcides cuida da mãe, que convalesce de câncer no intestino.

Cena 04.
Descobre que sua mulher nunca lhe fora infiel e que tudo era um plano do detetive para levá-lo para a África e cumprir a promessa de infância:
FLASHBACK à meia luz: “Quando a gente crescer, vamos morar na áfrica que nem o Tarzan”.

Cena 05.
Demora um mês para comer o detetive inteiro e não deixar provas. Vende as fazendas e volta para o Brasil para rever a família. No vôo de volta, conhece e come Eleanor, com quem terá um filho.
A mulher morre atropelada.

Cena 06.
Dá palestras motivacionais, come sushis e arroz pregado e à noite, sofre de saudades da áfrica.

FIM

FILME 02.

Cena 01
Externa. Noite.
A mulher do delegado volta para casa e não encontra nada do marido. Retratos, cuecas, brasão do Sampaio Correia.
O marido também não está.

Cena 02
Entra na sala do detetive. Interna. Dia. Plano médio. Diz que precisa achar o marido que é delegado.
O detetive diz que não acha delegado nenhum.

Cena 03.
Casam-se e o detetive se muda para a casa do marido delegado que sumiu. A mulher faz bolos e suflês.

Cena 04.
Mudam-se para a África, pois o detetive tinha um caso quente e a grana compensava. A mulher dava aulas de jardinagem.
Detetive trabalha arduamente por 20 anos no caso e finalmente o desvenda. Ficam ricos e abrem uma creche.

Cena 05
O caso chamava Jucimara e, com ela, o detetive foge para o Brasil, depois de uma cirurgia plástica que lhe transforma em mulher.
No Brasil, abre uma subsidiária da creche, que trafica rins e córneas para a costa do Marfim. Torna-se deputado federal.

Cena 06.
Plano seqüência. Dia. Nublado.
O delegado volta para casa, da guerra, não encontra a mulher e em todos os lugares que eram seus há fotografias do detetive com a mulher em todos os lugares que com ela um dia ele mesmo, o delegado, fora.
Revê a sua vida com a mulher e as atrocidades que tivera que cometer na guerra.
Perdoa a mulher pela similitude das fotos. Se ela repetiu com o detetive a vida que tivera com ele, o soldado delegado, é porque com ele foi bom.
Enfarta no carpete.

FIM

FILME 03

Cena 01.
Close na plaqueta na porta da sala do detetive, o nome dele é Jurandir e ele sonha com alguém que um dia possa fugir com ele pra África, como num filme antigo.
Come mortadela e ouve Odair José com afinco.
Loira fatal entra na sala. Fala de um caso e paga por diária.
Mulher mata o detetive.

Cena 02.
Mulher foge com o dono da lanchonete para a África e lá ele abre o seu próprio escritório. Os dois fodem pouco, mas são felizes.
Estudam línguas e culinária.

Cena 03.
Dia. Contraluz. Jovem mulher entra na sala do detetive na África e trás uma foto do pai e outra do filho. Diz que procura o pai.

Cena 04.
A mulher do detetive vira evangélica e abre uma Assembléia de Deus em Uganda, o que destrói o casamento, mas a salva para toda a eternidade. Eles não desfazem a união, mas ela não preta mais pra nada.

Cena 05.
O detetive investiga o caso da moça mãe do filho do próprio pai, que aparentemente fugiu para a África 30 anos atrás. As pistas o levam de volta ao Brasil, onde acaba por se inscrever em uma palestra motivacional por pura falta do que fazer e encontra o investigado.
Comem arroz pregado e, naquela mesma noite, decidem matar filha e mulher.

Cena 06.
Fogem para a áfrica.

FIM

Quarta-feira, Julho 22

fotos da obra









esse trampo tem que ter alguma coisa que o faça valer à pena. dei de fazer umas fotos no campo. tão.

Domingo, Julho 19

diário 01

e tem essa coisa de comer a lily allen.
me disseram que ela é gorda.
vai. ninguém que não se vê de verdade é gordo. só as que vivem de gordura e as piadas do jô sobre ser gordo não tem graça.
é como o pablo falou uma vez: a coisa ia pegar mesmo se o roberto carlos fizesse outro disco de rock.
na wikipedia tem que lily allen foi expulsa de vários colégios por fazer boquetes
esses dias eu pirei lendo as respostas que a fernandinha fernandes dá aos fãs no 0rkut. denovo eu penso em caice pollard, caice pollard, caice pollard, caice pollard.
ela diz que depois que passar a imagem de menininha, muda a série pra ganhar massa e bota cilicone.
ela parece a liz vicious. recomendo.
acho que a lily só funciona além da música por causa do fantástico. scott adams diz que a última invenção da humanidade será o holodeck, mas voyager é uma merda assim mesmo.
não consigo mais ouvir nada sem traduzir de imediato.

ah, e vçao fechar o bar do léo. pu! num me espanto se decidirem fechar a praia grande. a escadaria do canarinho não faz mais parte de são luís. é bonito. se toda a carga informacional de vômitos daquele lugar saisse do chão cheio de buracos... sei lá, o antigamente também vai se mudar.

Quarta-feira, Julho 15

4 gibis

Esta semana devo receber a edição 19 da Graffiti 76% e me toquei que é a quarta que colaboro. Pu! A quarta. Lembro que, sei lá, 2000, fui à BH com a Catarina Mina e me deparei com a revista. Aquilo era fantástico! Tinham HQs do Luciano Irrthum, que eu lia em zines, e do Guga Schultze, que eu gostaria de ler mais, um acabamento gráfico supimpa e, principalmente, pretensão de ser uma obra de arte.Passa um tempo e o Beto me pede uma HQ pras histórias de sertão dele. Escrevo um roteiro de 4 páginas que ele recusa por achar que não tinha ação e que acabo mandando por acaso ao Dsalete, que se oferece para ilustrá-la. Também por acaso a HQ foi parar nas mãos do Fabiano Barroso que pediu pra publicar, bem, na Graffiti.

Uma vez o Alexandre Linhares me falou, mas perguntando prele mesmo, porque os escritores brasileiros não imaginavam cientistas loucos no apartamento de cima e lembrei da Dragão Brasil. Me incomoda que o trabalho daqueles caras esteja à margem dos quadrinhos brasileiros e em todas as rodas de discussão não vejo menção ao que o Cassaro fez na revista. Aquele é trampo é bom, nêgo, se não bom, ao menos importante.

A Dragão era uma revista de RPG. Extremamente criativa, com muito material original e que abriu espaço pra publicação de histórias em quadrinhos e contos. 4 páginas aqui, 4 páginas ali e depois de uns anos os caras tavam com títulos em quadrinhos nas bancas, minisséries, marcas e personagens que eram deles e acabou dando em Holy Avenger blá blá blá. Mesmo o formato da revista mudou de magazine para americano para que fosse “mais facilmente encontrada na prateleira dos gibis”. A revista acabou gerando um universo ficcional (Tormenta), que gerou livros de regras, romances, suplementos, um outro universo (Trevas) e mais livros de regras, uma outra editora, mais uma pá de colaboradores e o resultado ainda tá por aí. Não sei vocês, mas pra mim o nome disso é indústria.

O que me lembro bem é que a revista foi um investimento claro nos caras que a faziam. Caras como o Evandro Gregório (que tinha um traço massa, personalíssmo, e hoje é mais um desenhista e assina como Greg Toccini), JM Trevisan, Marcelo DelDebbio (que criou Arkanum e Trevas) e até desenhistas horríveis como Joe Prado e Alex Sunders; tinha gente ali produzindo e influenciando gente, mostrando que dava pra fazer alguma coisa, publicando ficção científica, contos de terror, gibis etc. Porra, a Guerra dos mundos com Machado de Assis foi foda! Não sei onde um troço daqueles tem como sair hoje fora da web.O que mais leio nos ciclos que discutem gibis no Brasil é que não temos bons roteiristas. O exemplo da Dragão deixa bem claro que a nossa maior carência mesmo é de bons editores, ao menos de bons investidores. Não me entendam mal, tem um monte de gente boa editando quadrinhos no Brasil, pensando num formato de mercado para obras de diversos países e não é de graça que Bonelli, DC, mangás e outras tantas formas são editadas por aqui de maneira diferente. Se são boas ou não, não me cabe, a questão é ver como estes caras lidariam com material cuja feitura estivesse sob sua responsabilidade, que dirigisse uma trupe de criadores focando um nível X de qualidade, etc e tal.

Tá, isso também existe, mas é um bocado incipiente e parte mais da lógica de captar bons artistas que formá-los. Conrad e Devir são bons exemplos (apesar de que a Conrad encomendou vários livros) e a Devir se redime com o Mutarelli, mas nós temos sem dúvida a possibilidade de ter vários Mutarellis, de lançar vários “Histórias gerais”. Para mim todas as discussões sobre a identidade dos quadrinhos brasileiras são inócuas enquanto não se editar quadrinhos brasileiros com regularidade.

Acabei de ler um gibi chamado Seis, do Bruno Bisbo, que tava por aqui faz tempo. Tá, o livro é mezzo Sin City/mezzo Cem balas, mas é o tipo de coisas que funcionaria bem se produzido regularmente, se rolasse um investimento de banca com mais dois ou três séries charmosas cujos autores pudessem crescer à medida que a produziam.

Mas bem, só rolou essa lenga toda porque me toquei que as 4 hqs pra Graffiti representam quase toda a minha “obra” quadrinhística e, sem ela me dizendo que o próximo mote é futebol ou argentina, aquelas HQs não existiriam e eu não teria aprendido o que aprendi as escrevendo e conversando com os desenhistas.

Té.

Terça-feira, Maio 26

frederik peeters e os 200 zumbis

Pode parecer estranho, mas a modernidade é uma terra que se diverte com seus monstros. Em outras partes e noutras formas de fazer, os monstros eram monstruosos e alguns existiam para além da metáfora ou ao menos para além do conhecimento.

E aí que a gente chega na era do horror cínico, que serve à nossa diversão mais que ao nosso engasgo e a própria construção do monstro se revoluciona a cada temporada, de bran stocker à anne rice, de anne rice a mark rein (bolinha) hagen, de mark rein (bolinha) hagen à esse vampiros viadinhos ninguém mais respeita os monstros que geram uma bolada.

A indústria do cinema chapou os nossos cocos de monstros dos mais absurdos (tá, a maioria veio da litratura/gibis), de mutantes do espaço a bonecos assassinos, é interesantíssimo pensar como algumas épocas como os anos 80 podem ser definidas por seus monstros.

Dos recentes, quem me parece ter mais poder evocativo e permanente são os zumbis criados pelo george romero nos anos 60. Uma horda de gente morta comendo gente viva: simples, direto e ultracontemporâneo. Os zumbis não tem lá muito sentido e talvez por isso mesmo façam tanto.

Eles estão em toda parte, como era de se espear, e de vez em quanto a gente se depara com uma esquina mortaviva. Foi o que aconteceu com o Portrait as living deads, blog que encontrei por acaso. Cheio de desenhos de celebridades como Britney Spears e Chet Baker em seus estados post morten e sem nenhuma palavra.

A grande sacada é que zumbizar estas pessoas é lhes conferir uma presunção de humanidade que elas nunca tiveram e foi isso que me levou a procurar o autor dos desenhos pra entrevista abaixo:

O puta - O que aconteceu antes em sua vida. Desenhos ou quadrinhos?
Peters - Desenho. Como todo garoto. A diferença pras outras crianças é que eu não parei

O puta - De onde veio a idéia do “Portrait as living deads”?
Peeters - Eu queria um tema para treinar aguada diariamente, com disciplina rígida. Pensei nas paisagens chuvosas da Holanda, mas era meio brega. Os retratos de pessoas através do século me permitiram desenhar vários tipos de roupas, atitudes, origens. Como todas as outras idéias, eu não lembro de onde essa veio. Mas muito rapidamente surgiu a idéia de que seria interessante se eu desenhasse um monte de zumbis, uns 200, para dar a sensação de uma invasão. A massa é interessante. E é divertido, porque todas as pessoas que escolho são muito famosas em seus domínios, ou até reverenciadas nas culturas ocidentais, então dá pra deixar os pensamentos voarem em várias direções, a relação com a busca da imortalidade através da fama e do poder, por exemplo...

O puta - Qual o seu background com zumbis?
Peeters - Eu aprecio muito todo tipo de cinema, especialmente os antigos filmes europeus e americanos. Já vi muitos filmes de zumbis, Romero, é claro, mas tenho um carinho especial pelo Lucio Fulci. Zumbis são interessantes porque trazem aspectos sociais e políticos ao terror.

O puta - Qual a conexão entre as pessoas que você transforma em zumbis? O que é necessário para ser retratado como um morto-vivo?
Peters - As pessoas tem que ser famosas (ao menos na minha parte do mundo). Mas o mais importante é que eu tenho que ser inspirado por eles, digo, em um nível gráfico. Eu tento não tomar um posicionamento moral. A morte não é moral. Eu desenho Gandhi e Hitler, Arafat e rabin, Paris Hilton e Patti Smith…

O puta - A maioria dos monstros modernos como os vampiros e o Frankestein representam uma fachada do comportamento humano face a um mundo que mudava rapidamente; qual o papel dos zumbis nessa lista?
Peeters - Eu já respondi o que podia sobre isso. Ah, e não se esqueça que pode ser só diversão! É um exercício. Como o treino de um pianista. 45 minutos por dia, fora do meu trabalho principal, que é escrever e desenhar histórias.

O puta - No começo, você só zumbificava pessoas já falecidas, mas agora temos alguns caras vivos por lá. Por que a mudança?

Peeters - Este foi o principio desde o começo. Eu não lembro o motivo. Provavelmente porque o presente é um momento minúsculo e todo mundo vai acabar morrendo mesmo. Mas todas estas pessoas, mortas e vivas, dessa grande família de gente famosa que simbolicamente nunca morrerão porque nos lembramos deles. E é um espelho, porque não é esse o sonho secreto de todo mundo hoje em dia?

O Puta - Alguma das celebridades já se incomodou com o seu trabalho? Você zumbificaria alguma celebridade se ela te pedisse?
Peeters - Parece que ninguém se importa. Ninguém reclamou. Eu acho que a internet é muito ampla. Este blog é uma gota no oceano.

O Puta - Recentemente, a Lego lançou uma série baseada em gente famosa como Ammy Winehouse e Madonna; a MTV tinha o Celebrity death match (tipo de luta de delecatch com famosos) e a vida privada de pessoas públicas se torna cada vez mais pública. Qual a sua opinião sobre isso?
Peeters - Eu não brinco mais de Lego e não assisto MTV. É melhor pra saúde mental. É só negócios e eu não faço negócios.

O Puta - Portrait as living deads é uma página sem palavras com uma mensagem porrada. Você pretende reunir os desenhos em livro ou algo assim? Há um argumento maior ou são só desenhos de gente morta-viva?
Peeters - O objetivo final é uma exposição com os 200 retratos, todos misturados, na mesma parede, pregados como borboletas mortas. O objetivo é o efeito da massa. A primeira esposição sera na Suiça, espero que ela viaje.


Frederik Peeters (como descobri depois) é autor de quadrinhos suiço um bocado badalado. Seu livro mais famoso é Blue pills, que ganhou o prêmio de melhor livro en Angoulême. Portrais as living deads foi encerrado em 24 de maio, com o desenho do próprio autor, mas ainda está no ar em www.portraitsaslivingdeads.blogspot.com

Domingo, Abril 5

porque a carolina deveria fazer mais gibis

por carolina mello.

Quinta-feira, Abril 2

CASÓRIO? arghhhh

o desenho é do gabriel.

Sexta-feira, Março 27

chiclete com banana, 1989

parece piada.

Segunda-feira, Março 9

a comadre do zé




"ninguém é dono da sorte
nem teleguia o destino
por mais que seja ladino
não ganha o jogo da morte"

esse verso li faz muito tempo, num cordel que contava a tão famosa chegada de lampião no inferno, umahistória que já teve várias versões e todas as que li provam o que é de costume saber - virgulino mete taca até no cão! o verso inicial ficou na cabeça, acho que pelo "teleguia", que mete a gente lá na cabeça do poeta e cria um certo ar sci-fi do mato, um lance meio totonho e os cabra.

o cordel tinha uma xilogravura na capa, mostrando lampião lutando com um capeta caricato, com pés de bode, chifre, rabo e tudo mais e eu pensei: bem que o luciano irrthum podia fazer um livro com lampião.
com virgulino não rolou, mas rolou com a morte, e a semelhança com o absurdo dos cordéis, que antes via mais no traço do cara, fica mais forte nesse "a comadre do zé", que a graffiti lançou este mês, dentro da coleção 100% quadrinhos.


zé é um cabra cheio de filhos que, para os rebentos, já convocou toda a cidade a padrinho. com a gravidez mais recente da esposa, se vê no dilema do filho pagão e é aqui que lhe aparece a comadre, de quem ninguém escapa... bem, quase ninguém.

nas 74 páginas do livro, luciano brinca com o a relação burlesca entre o zé e sua cumadre, e deixa a idéia clara de que a própria crença na morte (e a trama que dela vem) se sustenta em séculos e séculos de crendices e oralidades que trazem o absurdo prum espaço íntimo e natural. tomando figuras chaves dos cordéis e histórias do sertão como o médico do interior, o coronel e o matuto, zé é conduzido por um mundo onde pode até ser dono da sorte, mas a sorte é abalizada por todos os lados e só a transfusão para uma sociedade completamente nova talvez mude de fato o destino dos personagens.
o livro me lembrou o prazer de ler alguns quadrinhos antigos como os do flávio collin, mozart couto e coisas que saiam em revistas de terror pelo simples fato de que há um reconhecimento fantástico no trabalho do irrthum e uma sintonia narrativa com os cordéis, que o cara já mostrava em hqs antigas com "henrique e o pé de manga". o traço é impecável e a composição se vale bem das linhas grossas que precisam de respiro.

o livro só peca por ser curto, as teleguiagens no destino do zé poderiam ser maiores e com mais causos no gato e rato de zé e sua comadre.
ah, "tudo aconteceu num lugar onde a luz elétrica só chegou no ano passado..." é como o verso do folheto do lampião, não vai me sair da cabeça.

Sexta-feira, Março 6

jaca e o baseadão

ontem fui na vida é uma festa e antes de antes de ontém mandaram o jaca pra putaquipariu. cheiro de mijo e maconha da vida é uma festa e balaiada com patrocínio estatal do palácio dos leões, tem alguma sincronicidade nesse lance, são duas enormes bolhas temporais.

tento lembrar mas não me vêm à cabeça o ano que a vida é uma festa começou e quase esqueço que ele um dia foi no adalberto e que junior assis era um dos caras à frente do negócio. migraram pra companhia circense de teatro de bonecos, mas continuaram ganhando porra nenhuma com o evento e o mantendo exatamente do mesmo tamanho, faça chuva ou não porque sol nem tem como. zé maria e sua trupe conseguem fazer há anos um troço completamente apartado de qualquer tipo de política de qualquer merda (assim espero) e é embalada por uma banda que não à toa chama casca de banana.
como essa que o jaca escorregou.
uma vez tentaram embargar a vida é uma festa, mas ontem, quando fui na delegacia da rua portugal dar uma mijada, o meganha de barriga pra cima e assistindo TV me disse que já falou diversas vezes que deveria ter um banheiro químico na frente do teatro... "esses caras só querem ganhar grana", completou cruzando as pernas sobre a bancada.

a balaiada no palácio, imagino, tinha aquela cara de final de copa, com tudo preparado pra festa, seja rindo ou chorando. eu tava em casa e ouvi a verborréia até umas duas da manhã, quando disseram finalmente que o cara tava fora e que zé reinaldo é uma piada do chaves ambulante. jaca recorrerá e espero muito que levem ele pro saco pelo simples motivo de que sua sucessora provavelmente morre antes dele. o maranhão tem um senador zumbi e teremos um gólem como governadora e por isso que eu vi bela lugosi dançando feito um louco na vida é uma festa e que a bolha temporal inclui formol, fraldas geriátricas e dubladores invisíveis. porra: BALAIADA!? caralho, não tem cu que aguente! dia desses recebi um email do joão com um troço tipo "a balaiada venceu o AI-5" e fiquei pensando naqueles crossovers absurdos que se faz pra vender gibis.

tenho medo de cair uma bomba na vida é uma festa e descobrirem que lá tava cheio de gerôs.

estamos presos num presente que não passa e no final das contas eu prefiro o bigode porque ele é mais divertido e não comete essas vaciladas de amador. dom corleone ou toni montana, quem tu prefere? me alegro pensando nos FPs se bolindo pensando no que vão fazer.

façam o que vocês quiserem com a porra do governo, só não bulam na vida é uma festa, por favor.

maranhão: tempo de mulher de malandro

Sexta-feira, Janeiro 30

o matador de funcionários públicos

algumas coisas são mais fáceis quando chove.
coisas pifam. param. deixam de funcionar.
ao telefone ouço só amanhã e sei que é hoje. carteado. bato n0 vidro. uma plaquinha escrita à mão diz SISTEMA FORA DO AR e eu insisto.
escrava isaura passa na 14 polegadas e eu passo o fulano tão rápido que o baralho voa.
não quero ouvir mais nada.
com a chuva, não vou estar mais aqui quando alguém aparecer.
colo a placa na porta.

Quarta-feira, Janeiro 28

Rafael Castro: MALDITO!


Acho que foi o Patrico que me apresentou, ou o Barata, num link de msn tipo "esse cara é massa". Porra. ERA massa e fiquei o dia inteiro ouvindo as aventuras de atrizes pornôs, cantadas de toalete e elegias pops na voz do Rafael Castro. Uma dúzia de canções no palcomp3 e um buraco negro: o cara não existia, não tinha contato, biografia, nada!.

Fiquei obcecado fuçando na net como fazia com os Smiths nas lojas 12 anos antes. Naquela de passar links pra deus e o mundo e chegar a escrever esse post paga pau.

É que descobri que o fulano tem um myspace e subiu seu SEXTO disco (Maldito) faz uns dias. Maldito continua a trilha dos anteriores, com guitarras oportunistas, letras tiradas sabe lá de onde como "Foi porque eu bebi" e "A melhor aluna do colégio interno". Nesse ele mostra uma influência mais forte de Raul Seixas e apresenta uma ou duas músicas em inglês, mas nâo vou fiucar aqui falando da porra do disco do cara que não dá em nada.

Rafael Castro mora no interior de São Paulo e grava canções em casa, em seu próprio computador, lança os discos na web e faz pouquíssimos shows, tem um clipe no tubetu e umas duas entrevistas no blog dele mesmo; ficou em segundo lugar em algum concurso e não tem cara de que vai virar hit. Se você está esperando um som limpo e cristalino, passe longe; se procura um monte boas idéias e um humor inavalável, baixe que o cara vinga.
Lá em casa toca ao lado do Rei.

O link do myspace é: www.myspace.com/sabesp.

Sábado, Janeiro 17

sobre a mpb

O cara ficava sentado no balcão e o cotovelo, segurando a cabeça pesada de cana, fazia o único ponto seco no vidro.

Tocava Scorpions

Ele olhava pra mim e dizia. Porra essa música aí é tipo uma MPB dos estados unidos.
O Scorpions é alemão, falei.
Então é uma MPB da Alemanha, saca?

Bem aventurados são os bêbados.

Quinta-feira, Janeiro 8

janeiro

cabelo de milho disse que o cara mataria uma galinha se ela tivesse com fome.
ela tem medo de galinha e eu sabia, mas o cara era mais pescador que agricultor. ela disse que era tudo e que queria aceitar, mas acabou por dizer nada. era só um interior e ela faria tudo que se faz numa cozinha e tudo que se faz numa casa quando o confinamento nela é o que resta.
sem esmaltes, mas tava bom.

o que ele quer comer, pesca, ela deve ter me dito assim. sem as maldições da titularidade, aquela coisa de ultrapassar o entendimento.

quando quero vomitar, finjo que é bocejo... nem sempre passa, mas dá a segurança de que o máximo que me acontecerá e a cara de kiko e a mudez de soslaio. nem sempre tenho a melhor informação pra dar em troca, minha história fica menos na mínha memória que as dos outros. vai que um dia aprendo a pegar peixes e passo a não entender o que antes entendia de porque a menina não ficou por lá, se tinha tudo e tudo era pouco, mas era tudo.
a desgraça é uma via de mão dupla.

Sábado, Dezembro 13

FALIMOS!

pra que não reste dúvidas: sábado eu mandei o secretário de cultura tomar no cu.
no circo lotado, a plenos pulmões, de pau duro e na total ciência de estar prestando um serviço de extrema relevância e correndo o sério risco de ser taxado de louco. aos interessados, recomendo, que o bagulho faz bem!

já tinha desencanado desse assunto, mas olhar o cara ali no palco fazendo propaganda política da maranhensidade num festival inexpressivo era muito tentador: surtei! o sujeito até tentou ignorar, mas virei uma metralhadora giratória de insultos que serviria mais pra me desafogar que para afogá-lo. parece que o segundo (ali) eu consegui, o primeiro, só piorou. eu era o homem bomba da mediocridade maranhense, o molotov da vergonha local e lá estava, pra variar, me auto-sabotando.

é que além das 50 pessoas que acessam este blog todo dia e, sei lá, os 300 que tavam no circo, ninguém sabe que um “arruaceiro” insultou sem meias palavras a maior autoridade da cultura do estado num lugar chapado de jornalistas e “formadores de opinião”.
falimos, maluco!
mas por que diabos isso deveria ser notícia?
mas por que diabos alguém xingaria o secretário?
pois é. também acho que poderia gerar um debate... também acho que chegar ao extremo tem um propósito e perder a razão pode ser a única forma de apelar a algum nível de racionalidade e sou plenamente à favor da violência para abrir linhas de diálogo quando as linhas normais falham. me dou todo o direito de permanecer violento!

e é isso aí: fomos à bancarrota. falimos!
alguém por favor dinamite o estreito dos mosquitos que a nossa esquizofrenia chegou a níveis tão assombrosos que ando vendo secretários de cultura e caralhinhos de asa a todo canto, talvez a pessoa ao seu lado só exista para você. tenho medo de pedir um sanduíche numa cidade que convoca a balaiada (!) pra defender o governador na frente do palácio. a estas alturas, só o que nos salva é uma batalha campal, que polícia ele vai mandar bater naqueles caras? era pra despertar simpatia?

acho que o joão já tinha saído do palco e a metralhadora não parava. não sei se quando ele disse sarney o barulho além do meu foi de ovação ou ojeriza. não sei mesmo, mas uma gorda veio pra cima de mim bufando (sempre tem uma gorda) e eu disse que não tinha feito nada além de falar, mas que ela poderia me bater, se quisesse. uma pá de seguranças apareceu e gentilmente me escoltaram para fora do circo sob novos pedidos de que me batessem muito.
a gorda me deixaria menos quebrado, mas os seguranças eram um corpo oficial e as pancadas deles valiam mais. bem, parece que alguém ali é bem instruído e os seguranças riam de mim, dizendo aos meus amigos que não iam me bater e eu perguntava “por quê? olha o que eu acabei de fazer!?”

se o espaço público brasileiro é a tv, o jornal e por aí vai, se algo passível de discussão se legitima enquanto tema pela mídia, nós super falimos, maluco! nada em jornal algum nem pra me chamar de inconseqüente, nada em jornal algum nem pra me inserir na campanha do golpe, nada de am pra dizer que quem parte pra violência perde naturalmente o argumento. nada de se estranhar em um lugar onde a crítica inexiste a as páginas culturais são agendas e colunas sociais incapazes de exercer um papel que não o de coladores de releases sempre elogiosos e ninguém diz isso por medo de não estar mais nos jornais cheios de gente que a gente conhece e, fazer o que, gosta.

lembro que o dyl pires foi vetado do imparcial uma vez: brigou com o editor e brigou com quase todos os caras sobre quem escreveu porque, e isso é achismo, tava direcionando a fala mais a seu objeto que a seus objetivadores. dia desses o li lamentando no blog que, mesmo após décadas de crítica teatral, ainda não conseguira dialogar com ninguém. lulo, nós falimos, cara! só nos resta essa coisa sem calcinha que retira a queixa porque a ressaca passou. golpe não! fica a dúvida se o objetivo é destruir o he-man ou conquistar o castelo de greyskull

só espero ter causado algum mal genuíno e ulceroso equivalente a meu próprio desconforto.

já era, maluco. falimos! nem bota a viola no saco que o saco furou.

maranhão: tempo de mulher de malandro

Quinta-feira, Dezembro 4

quatro textos

01
Ela perguntou e respondi na lata
Não sei.
Mas sabia. Não sei era pra ganhar tempo. Algo espocava lá fora, não dava pra ver pela janela, mas eu sabia. Disse que não pra ganhar tempo.
Vamos sair. Eu quero ver o que foi aquilo.
Se você aprende a olhar fixamente prum único ponto enquanto faz várias outras coisas, como falar com as pessoas, elas acabam ficando com medo de você depois e vão te deixando em paz.
Nem sempre funciona.
E agora eu tava com o pau mole nas mãos, todo sujo.
Ela disse que não queria sair.
Eu disse que nem queria ter vindo, que ela tinha entendido errado.
Ela tava certa, era a hora de pegar as coisas e ir embora zangada.
Só que a desgraçada disse: tá bom, vamo lá, vamo ver o que foi aquilo, mas na volta você vai conseguir me comer direito, não vai?

02
Enquanto derrubava o gelo que tinha virado água no chão, pela torneirinha pregada na caixa de isopor, o velho sentia o frio respingando no pé e achava aquilo bom pra caralho. Era a melhor parte: o frio parecia subir pela perna e ir contaminando o corpo inteiro, dando ao velhinho a ilusão de virar um enorme urso negro, peludo e ameaçador. Não usava sapatos, mas uma alpercata de couro, a calça dobrada e dobrada.
Fecha a torneira, bota a caixa do ombro, mais leve.

03
Era um esporte novo. Novíssimo, mas naquele dia não rolava.
De um lado a outro dava menos de 100 metros. Pela medida deles, pouco mais de três carros emparelhados. A emoção era chegar do outro lado da ponte mais rápido, sem olhar pros lados, sem olhar pra baixo.
Só pra frente, pra frete.
Pula.
Corre. Pula.
Um dia desses um carinha se empolgou tanto que caiu no rio. A maré tava seca. Se fodeu.
Com a ponte engarrafada não tinha graça. Plano B.

04
— Qual teu nome?
— E o teu, qual é?
— Jairo.
— Jairo? Ih, ai não dá. Jaira é muito feio. Tem problema se mudar?
— Eu gosto de Jaira.
— Mas eu não. Num consigo nem falar.
— Eu pago legal.
— Com esse nome não dá! Alem do mais, vai ter que esperar o show acabar.
— Peraí. Meu nome foi mamãe que me deu! Eu não posso jogar fora um negócio que mamãe me deu por causa de uma puta.
— Quem perguntou foi tu.
— ...
— Dá pra ser sem nome?
— Aí eu te chamo de quê?
— Sei lá... o nome da tua mãe, qual é?

Quarta-feira, Dezembro 3

música é quadrinhos

chuck palahniuk disse que devia ter algo errado com uma sociedade que dança ao som de sirenes de emergência.

e se rolar uma emergência?
pare a música.
hang the dj!

silêncio é distúrbio. o silêncio não existe, nunca existiu, e a cada dia diminuem suas chances de existência.
dizem que o som nunca se esvai, fica vagando por aí nalguma freqüência obscura e em milhares de anos, a milhões de quilômetros, todas as merdas que você disse ainda estarão lá.
mi menor é uma abstração tão absurda quanto um número 42 e enquanto adorno se engasgava com o jazz os jazzmans já ensaiavam o rock and roll.

punk eram as putas do shakespeare.
ambulâncias tocam funk carioca e marchas cívicas do período varguista.

há sons que dão barato e descobriram a freqüência da maconha, do ácido e do chá de capim-limão.

um ruído é uma cor e uma forma.
todo traço é uma freqüência e max weber gasta páginas e páginas punhetando em números e raízes quadradas num livro absolutamente sem som.

peanuts.

from hell.

akira


música é quadrinhos.

Quinta-feira, Novembro 20

gato marreco convida:










É SÓ CLICAR PRA VER MAIOR!

Quinta-feira, Novembro 13

Jozz e o bonde

este blog anda paradaço, eu sei, e isso me entristece. por outro lado, acho que em 2008 consegui fazer mais gibis que no resto da minha vida e ando com a sorte de trabalhar com gente boa pra caralho!
os desenhos desse post são do Jozz (www.jozz.com.br), para uma hq curta a sair numa antologia gringa. a história é levemente inspirada no sambaço "o bonde são januário", de wilsom batista e ataulfo álves.




té mais.

Sexta-feira, Outubro 24

GEORGE ROMERO E JESUS CRISTO

ou um filme de zumbi com gente cega

Pra mim, Ensaio sobre a cegueira é um filme mela-mão. Mela-mão e irritante. Primeiro pela minha crença de que nada precisa ser nada além do que já é e por si isso transforma 90% da indústria do cinema em mela-mão.

A competência técnica de um filme numa indústria onde a técnica está acima da idéia não pode constar na lista de itens mencionáveis, o filme é bonito e blábláblá, mas George Romero conseguiu fazer um filme de zumbis melhor com uma meia dúzia de colegas 50 anos atrás e sem frescurinha católica.
Se você não notou que Ensaio sobre a cegueira não passa de um filme de zumbis disfarçado de cult e com grife de prêmio nobel, desculpe, mas você é meio bocó.

Urbanidade, impessoalidade, pessoas estranhas aparentemente sem conexão, fenomeno repentino e inexplicável que transforma a sociedade, temos padrões de comportamento entrando em choque.... briga pelo básico e imperadores de pilhas de lixo.
Irracionalidade, construção de guetos e a tentativa desesperada de manutenção de algum valor da antiga civilização.
Reconhece?

A diferença aqui é a figura cristã do cara que carrega o fardo da humanidade. Se no país de cego quem tem olho é rei, no país do saramago quem tem olho se fode (literalmente), leva chifre, apanha e segura a onda naquela de que o sofrimento seu é importante à redenção coletiva.
Pois é: redenção = cinema.

Prefiro os que me mordem o pescoço e custam mais barato.

Terça-feira, Outubro 21

GRAFFITI 18

Quem leu os posts sobre o seu Cabral por aqui deve saber que o lance todo era pra fazer uma hq. Bem, esta hq (ao menos a primeira delas, pois há a possibilidade de continuar) está na edição #18 da Graffiti 76% quadrinhos, revista mineira na qual tenho publicado quadrinhos (já foram 3 edições!!!).


Os desenhos são da resplandecente Licida Vidal, com letras do Gabriel Girnos, e vocês conferem abaixo:

Pra quem tiver em São Paulo, o lançamento é sexta-feira, 24 de outubro, durante os eventos de comemoração do primeiro aniversário da livraria HQ mix.

Por aqui, vai rolar uma exposição dos desenhos no bar do seu Cabral e um pequeno lançamento lá mesmo.


Só não me perguntem quando.

O putaquipariu! volta quando der.

Quinta-feira, Setembro 18

O MATADOR DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

ela riu quando disse que a foto era de outro cara.
e era.
passei pelo guichê.
ela disse que a foto nem sempre parece o fotografado e que eu ali era eu ali e o cara da foto, bem, era uma foto.
no fim acho que ela gostou mais do cara da foto e acabei imitando o sorrisinho dele pra fazer a pergunta escrota.
que horas você sai?
três horas.
três horas. ela entrou 10.

não tem lá muito lugar pra se ir às três horas, falei.
é. geralmente vou pra casa.
entendo.

o cara da foto ficou lá na casa e a foto da dona hoje eu tenho na carteira.
desculpa, até falei, mas às três da tarde não dá.
embaixo das costelas, 45graus, não tem quem resista.

Sábado, Setembro 6

o saldo da maranhensidade

o maranhense é esse bicho que nasce e se fode. se não nasce pelo cu, nasce no. fazer o quê?

daí que fiz a carta pro secretário e, semanas no escuro, posso dizer com todas as letras que se eu vomitar e cagar em cima de um hutt morto ainda vale mais que a gestão da secma, com seu secretário mal educado, covarde e incompetente.

mas, va lá, o cara tá na dele, indo em posse de ministro e chorando. como diria um fulano sobre as indenizações do ziraldo: tá colhendo o investimento.
um cara me disse dia desses que o pai dele tinha trabalhado muito na vida, mas que finalmente conseguira um emprego na ufma e poderia descansar. tomara que o pai dele pegue câncer na traquéia e precise do sus, onde haverá, como na ufma, um monte de gente descansando.

o joão não respondeu a minha carta e me toquei que devo ser a única pessoa que não o trata pelo diminutivo. a repartição alegou que são poucos braços. tentem tirar esses braços das cuecas e enfiarem em algo de útil e vocês verão o que pode sair.
me ligaram pruma reunião e perguntei se era alguma nova modalidade de cinismo. não fui, mas deve ter sido gozada. queria ter ido. novas modalidades de cinismo para novos tipos de humor; o sitcom da repartição.

no fim das contas, ajudei meia dúzia de escritores cagões da maranhensidade a ganhar uma grana, olha só! essa mediocridade me incomoda mais que a secretaria. se eu vomitar e cagar em cima de um hutt morto e jogarem o joão por cima ainda dá menos asco.
no fundo, tudo que fiz foi contribuir pro espirito de funcionalismo público da maranhensidade. recebi respostas toscas como "sempre foi assim" e "não atrapalhe o trabalho desta gestão antisarneysta", não fique no caminho da revolução ou serás atropelado pelo trem da história.

anti-sarneyista de cu é rôla! o trem da história não passa na madredeus.

não dá pra criar uma discussão aqui.
não há espaço público.
todos ao topo do edifício caiçara.
o último que sair dinamite o estreito dos mosquitos.

por favor.

PS. comecei esta porra só e só a dou por encerrada

maranhão: tempo.

Segunda-feira, Setembro 1

NOITE LUZ de marcelo d'salete


é sem pre bom ver livros bacanas de caras bacanas saindo.
pra quem estiver por são paulo, vale o pulo no lançamento.
noite luz é uma das coisas mais batutas que já li em quadrinhos brasileiros, um livro enxutíssimo e super importante.
deve estar à venda em breve.
mais informações no http://www.dsalete.art.br/

Quinta-feira, Agosto 21

MARANHENSIDADE DE BOLSO

Ao Sr Secretário de Estado da Cultura do Maranhão, João Ribeiro.

01.
Terça feira, 05 de agosto de 2008. Por ser São Luís, estava quente. Entrei na repartição pelo único motivo possível: dinheiro. Após alguns minutos, fui encaminhado ao departamento financeiro. Lá, descobri que do total de 6.225,00R$ que a repartição me devia, 1.186,79 R$ seria retido como imposto de renda. “E ele vai ter que comprar uma nota fiscal avulsa, viu, lá na prefeitura”, disse a funcionária pública, à outra, ao telefone. Também soube que teria que me cadastrar no SIAGEM. “Então ele vai ter que se ca­dastrar, se não ele não tem como receber. Porque o Estado só paga, meu filho, se for cadastrado.”
Falei que não abriria uma nova conta em banco e ouvi que então o problema era meu e que “se não fizer isso você não recebe, querido”. Disse que eu teria que me cadastrar como prestador de serviço e receberia dentro da misteriosa “rubrica 32”, quando antes eu já havia dito com todas as letras:
— Eu não estou prestando serviço pro governo do Estado, eu ganhei um concurso!

02.
O concurso em questão é o que carrega o nome do Gonçalves Dias ou o plano edito­rial 2007, lançado em meados do ano passado. O nome em si carrega dois contra-sensos, já que aparentemente não há nenhum plano por trás do prêmio e, obviamente, não se editou nada. O objetivo de “estimular e valorizar a produção literária no estado”, estampado no edital, ganha ares anedóticos com o desenrolar dos fatos, e mostra o comprometi­mento, interesse e competência da Secma em gerir as propostas que a mesma Secma formula. O plano amontoa uma série de equívocos e esta carta é um pequeno relato de minha experiência com ele.
Mandaria um rim no envelope se tivesse me sobrado.

03.
Quando me inscrevi no prêmio, cometi a patacoada ingênua de achar que a repartição seria capaz, em algum momento, de compreender, lidar ou editar uma ou um conjunto de obras literárias. Com a iminência de publicação e pagamento dos prêmios dois meses antes das eleições, me vem a idéia de que talvez eu possa ter sido ainda mais ingênuo e que compreender, lidar e editar um ou um conjunto de obras literárias deveria realmente ser um papel para editores profissionais e não de FPs.
Trabalhos inscritos, a premiação, que originalmente seria divulgada no dia “19 de novembro, no site da Secma”, só saiu no dia 14 de janeiro do ano seguinte. A repartição ar­gumentou que “a demora na divulgação do resultado deu-se em virtude do volume de obras inscritas”, o que demonstra, como eu diria... um certo despreparo em operacionalizar seu edital, ou ainda a incapacidade de lidar com um edi­tal que apresente bons resultados, dando a entender que a competência da Secma é di­retamente proporcional à impopularidade de suas ações. O fato é que o atraso já deve­ria constar aos senhores como um alerta de que algo estava errado em vossa gestão (ou seria normal?) e que as pessoas que confiaram à secretaria suas obras mereceriam al­gum respeito.
Vale lembrar que a promessa feita ano passado, como adendo à desculpa pela trapalhada, foi de que o novo edital sairia mais cedo, para que não houvesse atraso nos resultados. Este prazo vocês (também) já perderam.
A Sra do financeiro, que se identificou como Maria, respondeu, ao ser questionada sobre as exigências não estarem no edital, que “aí eu não sei, se erraram isso lá pelo edital isso é problem... ehhh... o SADC que tem que te explicar o que eles botaram no edital”, também me disse que o pagamento do plano do ano pas­sado está sendo feito com dinheiro do deste ano, já que o de 2007 foi devolvido por não ter sido pago a tempo por vocês, o que me faz pensar em como os pobres inscritos no prêmio deste ano receberão.
Saí da Secma com um nó de ódio enfiado na garganta, por ter sido humilhando, ter perdido meu tempo e por morar em um lugar no qual o Estado se põe a editar livros e promove um embuste.

04.
O edital diz que “Após a divulgação dos resultados, os autores contemplados terão o prazo improrrogável de 72h para a entrega dos originais definitivos, que serão enca­minhados para a gráfica, para impressão e publicação”, mas no documento do resul­tado consta que “Os contemplados devem aguardar o contato da Secretaria, que lhes orientará com relação à entrega dos originais para publicação das obras e agendará so­lenidade de premiação”. Tanto os originais não foram requeridos como este contato nunca aconteceu, a “solenidade”, suponho, deve estar marcada para breve.
A palavra “grosseiro” seria elogiosa para descrever o edital, do qual se espera algum valor legal, coerência, informações precisas e que fale com a seriedade e lisura que se exige de uma secretaria de estado.

05.
Mais de sete meses se passaram do resultado e eis que recebemos um e-mail da repartição, infor­mando a intenção do pagamento do prêmio. Foi-nos solicitado que levássemos “com a maior brevidade” (no que se constitui um humor refinadíssimo. Parabéns!), documentação que incluía um nada-consta da Caema! Pelo que entendi (e repliquei o e-mail pedindo detalhamento), o procedimento seria o seguinte:

Primeira fase: Ir ao Shopping do Cidadão (constava assim no e-mail) e conquistar o nada-consta com a Caema.
Segunda fase: Obter cópias de RG, CPF, comprovante de residência e extrato de uma conta corrente no nome do beneficiado.
Terceira fase: Entregar toda a documentação na repartição, que lhe agraciaria com uma declaração.
Quarta fase: Entregar esta declaração no SIAGEM, para então obter o cadastro como prestador de serviço do governo do Estado! (esta fase poderia ser pulada se você fosse funcionário público).
Quinta fase: “Comprar” nota fiscal avulsa na prefeitura e, naturalmente, pagar os impostos devidos (no meu caso, teria de tomar emprestado os já citados 1.186,79 R$).
Sexta fase: Retornar à Secma com a nota fiscal, entregá-la e esperar o depósito.

Fase final: Virar o novo Gonçalves Dias!

Nenhum destas fases consta no edital e também não há nenhuma menção à necessidade de conta corrente, nada-consta, inscrições como prestador de serviço e muito menos à participação em algum tipo de gincana de humor negro. Nenhuma das exigências se sustenta dentro do nosso acordo.

06.
Na minha opinião, a Secma falhou antes de tudo com o restante da gestão esta­dual e da imagem que dela se registrará, no que tange as ações voltadas para o fomento da literatura. A repartição parece ter cabulado a aula básica do exercício do poder, que diz que apontar o que há de melhor na produção literária de um lugar é exercer autoridade e legitimar o próprio papel do Estado. O recorte obtido pelo que se referenda, edita e distribui é nada mais que um recorte de si mesmo e o que se vê é que o recorte da Secma é o do atraso, na inação e da nulidade de suas pró­prias propostas, no que vocês provavelmente argumentarão ser tradicionais na gestão do Estado e que eu treplico com vossos próprios slogans de campanha. Se há algum tipo de estratégia genial por trás disso que me tenha escapado, por favor, esclareçam.

07.
O fato é que até hoje não recebi nada, não tive nenhuma obra editada pela Secma e me sinto desrespeitado, lesado e ofendido pela falta de seriedade desta secretaria. Nenhum desconto estava previsto e não posso de forma alguma aceitá-lo. Não entrega­rei meus originais para impressão por esta secretaria. Se vocês trataram o prêmio assim antes da publicação, imagino que o que farão com o material impresso (no caso, 700 cópias de cada título) será, no mínimo, tão amador quanto. Minha obra é melhor que sua repartição.
Tenho ver­gonha da Secma e me sinto burro e derrotado por ter achado que um apinhado de fun­cionários públicos pudesse ter consciência da importância de suas ações e capacidade técnica para operacionalizar seu ofício. Imagino que a sensibilidade exista pelo simples fato de ser uma gestão “de artistas”, carregada de uma aura messiânica que reflete a esfera federal, mas a capacidade técnica, no tocante ao plano editorial, me faz pensar que o Maranhão ainda precisa de bons compositores. A repartição não demonstrou nenhum planejamento ou preocupação em relação ao prêmio e parece fazê-lo mais por pressão de lei que por alguma compreensão de que seu metiê, a “cultura”, difere do pa­pel mais exposto do Estado de construir pontes, tapar buracos e jogar responsabili­dades para os mandatos vizinhos.

A Secma deve aos autores um pedido formal de desculpas, por atrasar suas obras e seus planos para elas, inadimplência e por usar de burocracia autoritária para efetuar os pagamentos. A Secma me deve dinheiro e isto, para parafrasear sua nobre colega, é problema inteiramente de vocês.

E viva a maranhensidade!

bruno azevedo
bazvdo@hotmail.com
São Luís, 19 de agosto de 2008

Domingo, Agosto 17

LEIDIANE na MOJO

esta semana tenho um pequeno texto na MOJObooks, inspirado em leidiane, de júlio nascimento


a MOJO é uma editora virtual que verte discos e músicas em literatura. bacaníssimo.


um dia reativo esse blog.

Segunda-feira, Agosto 11

eu sou o FP do futuro

essa cidade precisa dum vazamento de plutônio.
ou petróleo, mas precisa de uma merda.

essa cidade precisa urgentemente que o sarney volte a cagar na nossa cara com mais frequência. se o sarney fosse um super herói o poder dele seria o de fazer sentirem a falta dele, pelo mesmo motivo que um a facção do PT sente falta do FHC.
eu fico aqui querendo o sarney de volta só pelo ícone.
por essa eu quero mesmo é a ditadura. nem vivi, mas como falam deveria ser muito divertida.

na parada gay todo trio tinha um santinho, todo flyer tinha um número, toda biba tinha um patrocínio.

se alguém souber do sarney, digam que sou fiscal dele.

maranhão: tempo de lamber vômito.

Terça-feira, Julho 22

GRAFFITI


Esta é a segunda edição da Graffiti com uma hq minha, desta vez com desenhos do Márcio de Castro. Pra quem tá em São Paulo, eis o convite.
Os caras vendem a revista pelo site. Vale à pena.

Domingo, Julho 6

BREGA É TU! bregueiros unidos param blog raivoso

este blog anda paradaço, eu sei.

parei tudo por um mês pra terminar a maldita monografia e, de quebra, comecei a trabalhar feito gente.


bem, a mono já tá pronta e esse post é um convite pra apresentação:



BREGA É TU! [brega de teclado. maranhão. anos 90] é tentativa de resgatar a história de uma geração de cantores que usou predominantemente os teclados "com ritmo" no maranhão na década passada e fez o que pra mim é um dos lances mais significativos da música desta merda de lugar.



o detalhe é que estes caras passam batido dos registros "formais" da música do estado (apesar de ser os caras que mais registro fonográfico deixam) e a minha intenção é analisá-los no panorama não só do brega, mas da produção artistica local, discutindo identidade, identificação e o efeito que alguns pares de chifres, grades de cerveja e o tecladinho de churrascaria podem ter no proceso de surgimento de um estilo musical.



a defesa será na terça-feira, no CCH da ufma. às 18:30h. na sala de projeção 03, bloco 05, primeiro andar.
haverá (provavelmente) apresentação autêntica e um bregueiro autêntico e distribuição do exclusivo cd BREGA É TU! além de beberagem adequada.

informações, liguem no 8159-0200
quem quiser ler o tabalho, me manda um email que eu encaminho.

maranhão: tempo de brega de teclado